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Sobre o fascismo (de cor) à brasileira


Wedencley Alves*



Durante o governo do Inominável, as discussões sobre um "fascismo à brasileira" ganharam a pauta. Nessa semana, vimos as PMs do Rio, de São Paulo e da Bahia matarem quase 50 pessoas. Quase todas pretas.


Houve muitos protestos contra o cinismo e a crueldade do governador de São Paulo. Mas setores progressistas se calaram - e digo "vergonhosamente" - sobre o que aconteceu na Bahia.


O fascismo à brasileira é mais complexo do que parece e não foi embora com o Inominável. As cenas - que acostumamos ver no cinema - de milícias nazistas e fascistas invadindo casas, sequestrando pessoas e executando aqueles que eles consideravam "os inimigos da sociedade" estão fora do écran nesse triste país.


Diz o ditado alemão: "Se você senta à mesa com dez nazistas, então teremos 11 nazistas". E uma forma de sentar à mesa é calar-se ante a barbárie.


Quem cala consente, e o silêncio das esquerdas em relação aos governos petistas na Bahia, e sua incrível marca de 100% de mortos negros pela polícia, mostra - na verdade, esse silêncio grita - que o "fascismo de cor" no Brasil é mais complicado do que parece.


Ele se capilariza, escorre pelas mais finas artérias de nosso corpo, ora como defesa odiosa de extermínio, ora com como silêncio de consentimento.


É constrangedora nossa incapacidade de olhar para o espelho.


 

*Wedencley Alves é professor da Faculdade de Comunicação da UFJF e membro do EBEP.

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