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Abaixamos a calcinha e descobrimos que a psicanálise não é ciência


Loren Costa*



Desde Freud que estão perguntando a validade da psicanálise enquanto ciência. Como se "A Ciência" experimental fosse a única passagem ao verdadeiro. Sabemos que a verdade, ainda mais a subjetiva, mente. Sabemos que não poderíamos "medir" nada sobre os afetos porque eles não são universais, eles são singulares. Sabemos o quanto é complicado falar de ciências humanas. Ok, já sabemos tudo isso. Por que esse bafafá todo então?


Ora, porque a psicanálise se relaciona com o feminino. Logo, essa crítica sempre vai existir. E, a meu ver, não se pode sair desse impasse se não for pela via do feminino, do afeto, do singular.


Desculpe, mas, sinceramente, não sei se serão homens importantes com seus ternos, diplomas e artigos publicados que irão "provar" a validade da psicanálise. A impressão que eu tenho é que os psicanalistas se irritam com essa crítica, da mesma forma que algumas feministas se irritam ao ouvir sobre "inveja do pênis".


A psicanálise não é ciência! A mulher não tem pênis! É isso, gente...

E que bom! É isso que faz das duas instâncias únicas, não deterministas, abertas às contingências. Não me parece um demérito dizer que a psicanálise não é ciência. Tampouco é uma pseudociência.


Agora, que isso é um problema político, que coloca em risco o lugar da psicanálise na academia e nas instituições... sem dúvida!

Como mulher, também luto contra isso todos os dias. Mas aí precisamos encontrar então uma maneira de afirmar esse lugar sem ter que se identificar com os modelos universais de quem faz a crítica, não é mesmo?





Na foto vemos o quadro "A Origem do Mundo", de Gustave Coubert, exposto no Museu d'Orsay em Paris.

Esse quadro, pasmem, gera ainda muita polêmica. Quando estive lá, me sentei para observar as pessoas observando. Algumas olham rápido, como se fossem virar pedra se olhassem mais. Algumas olham atentamente para ver se creem no que estão vendo...

Ah, o feminino e seus enigmas!


E você? Como reage à castração e ao non sense do feminino?


 

*Loren Costa é psicóloga, psicanalista, mestra em Psicologia pela UFSJ e Doutora em Estudos Psicanalíticos pela UFMG.

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