




“Ir contra a corrente é reforçar, como uma disposição social, o espírito da negação e fazer da crítica um instrumento do aperfeiçoamento das capacidades humanas com vistas à emancipação”.
Em Como cicatriz risonha e corrosiva: pensamento radical e vida acadêmica, Marildo Menegat constrói um acerto de contas rigoroso e desprovido de autoindulgência com quase quatro décadas de magistério e intervenção pública. Recusando as convenções burocráticas do memorial acadêmico e as facilidades da crônica complacente, o autor entrelaça memória de formação, militância política e reflexão filosófica para examinar os impasses da universidade em uma era de catástrofes e desintegração social. Ao tensionar categorias herdadas da teoria crítica e da tradição marxista diante do colapso civilizatório e da gestão da barbárie contemporânea, o livro converte o gesto de despedida institucional em um legado vivo e cortante, reafirmando a urgência de um pensamento intransigente, lúcido e orientado pela recusa radical do existente.
